quarta-feira, 29 de abril de 2015

BINÔMIO ORALIDADE E ESCRITA

1. Fala x Escrita - a perspectiva das dicotomias: esta perspectiva dicotômica é considerada restrita, pois focaliza essas modalidades de língua. Porém, também pode ser "continuum".
A fala é contextual, implícita, redundante, não-planejada, imprecisa, não normatizada.
A visão "imanentista" que originou as praticas pedagógicas, ela remonta a separação entre "forma x conteúdo", classifica fala como pouco complexa e escrita como fundada num conjunto de regras. 

2. Oralidade x Letramento ou Fala x Escrita? O binômio "Oralidade x Letramento":  está voltado para analisar as diferenças entre praticas sociais, enquanto a "Fala x Escrita", entre as diferenças de duas modalidades do uso da língua.

-Oralidade: pratica social apresentada em gênero textual em sua diversidade de uso.
-Letramento: uso social da escrita, do aprendizado mínimo até a utilização científica dela.
-Fala: forma de produção oral que necessita apenas dos recursos próprios do ser humano.
-Escrita: representação abstrata da fala.

3. Oralidade e escrita no conceito das praticas sociais: na sociedade contemporânea, Marcuschi considera a vida cotidiana e os fenômenos de fala e escrita, considerando o texto uma prática social e não um artefato.

            A escrita é utilizada em todas as praticas sociais das comunidades que se insere o Letramento. 
            A escrita passou a ter um status singular, (Marcuschi,1995)

-Letramento: processo de aprendizagem da leitura e escrita em contextos informais.
-Alfabetização: domínio das habilidades de ler e escrever.
-Escolarização: pratica formal que visa formar o indivíduo, mesmo sendo apenas uma etapa.

Oralidade x escrita: a tendência fenomenológica de caráter culturalista: essa visão faz análise cognitiva dos efeitos de organização e produção do conhecimento, ela confere o avanço na apavorada cognitiva-individual.

Fala x escrita - perspectiva variacionista: trata da escrita a partir de processos educacionais e variação da língua, verifique abaixo as variações:
Língua padrão - variedade não padrão
Língua culta - língua coloquial
Norma padrão - norma não padrão

            Perspectiva internacional: seus fundamentos baseiam-se em: relação dialógica do uso, estratégias de linguagem, funções interacionistas, envolvimento,  situacionalidade e formulacidade. 
            Não se deve polarizar ou dicotomizar a relação entre fala e escrita orienta-se por uma linha interpretativa.
            Concepção e funcionamento da língua - consequente relação fala/ escrita: devemos eliminar uma série de distinções entre fala e escrita, como por exemplo, a contextualização na fala e descontextualização na escrita, implicitude na fala e explicitude na escrita.
            A oralidade e a escrita são ambas práticas sociais e não propriedades de sociedade distintas.

            Leitura, oralidade e escrita: a leitura como uma pratica linguística, pedagógica e social. 
            Historicamente, as práticas de escrita e leitura foram se tornando sócio-discursivas e relacionadas a classes econômicas e politicamente dominantes foram ligadas ao acúmulo de conhecimento. Sendo assim, a escola teve como dever o papel de ensinar as práticas mencionadas.
            Aprendemos que na escola, há o esquecimento da característica dialógica, seja essa oral ou escrita. Nesse caso não há troca, apenas um processo de simulação entre professor e aluno. Em geral o professor é o falante e o aluno o ouvinte e quando há troca o professor não se interessa pela produção e sim pela reprodução.
            Vemos que, mesmo que a criança, descontextualizada, levanta hipóteses, ela já usa a linguagem oral e sabe que ela tem um sentido, porém se confunde ao não conseguir se subjetivar ao texto.
            É apenas devolvendo o direito da palavra ao aluno que talvez se possa ser uma história contada "e tal atitude, parece-me, dá novo significado a questão “como avaliar redações?" Apontando, no mínimo, para critérios diferentes daqueles que reprovaram o autor do texto, e aprovaram o autor da redação" (Geraldi, 1985, p. 129).

Bibliografia
BRITO, P.L. Em terra de surdos-mudos: um estudo sobre as condições de produção de textos escolares.
SMOLKA, A.L. A criança na fase inicial da escrita.
GERALDI, J.W. (org). O texto na sala de aula.
Marcuschi 1995 - oralidade e escrita.
Neves, Maria Helena língua falada escrita e ensino: reflexão em torno do tema

sexta-feira, 24 de abril de 2015

COESÃO ( CONTINUAÇÃO)

De acordo com Fávero, a coesão sequencial se subdivide em sequenciação temporal e por conexão.
            A temporal leva ao tempo de mundo real e se dá por uma ordenação linear dos elementos (progressão); por expressões que assinalam a ordenação ou continuação das
sequencias temporais (ordem dos fatos); por partículas temporais (período) e por correlação dos tempos verbais. A sequenciação por conexão se refere às conjunções, já citados na apostila por Halliday e Hassan.
            De acordo com o estudo da apostila, há ainda quem amplie a noção de coesão para algo além do texto, o que é denominado como exofórica, que é quando a referência está sujeita ao conhecimento prévio que o leitor possui. No material extra, que continua a explanar sobre a coesão textual, temos alguns exemplos de coesão e suas formas.
            A coesão referencial por reiteração repete a palavra, com o sentindo de reiterar a informação que se pretende passar. Para que ocorra essa retomada, pode se repetir ou substituir por um sinônimo, por um hiperônimo (flor, de rosa) ou hipônimo (rosa, flor) ou por uma antonomásia (algo que sirva de relação, substituição).
            Lembrando que é de extrema importância o zelo ao se utilizar a repetição de termos lexicais, pois, se ela não estiver em função da criação de um sentido de intensificação, pode vir a ser considerada como um erro de estilo.
            A coesão recorrencial é a retomada de termos e estruturas dentro do texto.
            Os mecanismos de coesão sequencial strictu sensu (porque toda coesão é, num certo sentido, sequencial) são os que têm por função, da mesma forma que os de recorrência, fazer progredir o texto, fazer caminhar o fluxo informacional. Diferem dos de recorrência, por não haver neles retomada de itens, sentenças ou estruturas.
Sequenciação por conexão: Num texto, tudo está relacionado; um enunciado está subordinado a outros na medida em que não só se compreende por si mesmo, mas ajuda na compreensão dos demais. Esta interdependência semântica e/ou pragmática é expressa por operadores do tipo lógico, operadores discursivos e pausas.
            Operadores discursivos marcam a progressão de uma série de argumentos que são utilizados para se definir a conclusão de uma frase/texto. Fazem a relação de conjunção argumentativa, os ligando em favor de uma única conclusão. Sinalizam uma relação de disjunção argumentativa, que introduz argumentos que levam a conclusões opostas, possuem uma forma argumentativa diferente. Determinam uma relação de conclusão, que introduzem uma conclusão em relação a dois ou mais enunciados anteriores.      Estabelecem relação de superioridade, de inferioridade ou de igualdade são utilizados com o intuito de uma conclusão, seja ela a favor ou contra. Marcam a contrajunção, designa o tipo de conexão que articula sequencialmente frases cujos conteúdos se opõem. Por explicação ou justificação: introduz-se uma explicação de um ato anteriormente realizado.

Exercício:
Indique a opção que dá segmento ao período abaixo, respeitados os requisitos de coesão e coerência do texto.
“A estatização na economia brasileira se aprofundou em um período histórico em que a intervenção estatal nos setores de infraestrutura, insumos básicos e serviços públicos era vista não apenas como benéfica, mas como necessária para a consolidação da produção ou da prestação de serviços naqueles setores.
  

quarta-feira, 15 de abril de 2015

COESÃO E VARIAÇÕES

A coesão, a unidade do texto vai sendo construída com o uso de diferentes procedimentos e seus elementos constitutivos vão construindo o texto. A coesão por referência é remetida a outros itens do texto, não podendo ser interpretada por si só. São elementos de referência os pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos e os advérbios de lugar.
            Esta referência pode ser situacional ou exofórica (extratextual) e textual ou endofórica. Esta referência textual ou endofórica pode ser anafórica (quando o item de referência textual utiliza um já expresso no texto) e a catafórica (quando o item referido antecipa um ainda não utilizado no texto).
            A coesão por substituição é a inclusão de um item no lugar de outro segmento.
            A coesão por elipse consiste na ocultação do sujeito.
            A coesão lexical por conjunção se estabelece entre as orações indiretamente, devido ás relações específicas que ocorrem entre as orações, períodos e parágrafos. Seus principais elementos conjuntivos são: advérbios, locuções adverbiais, conjunções coordenativas e subordinativas, locuções conjuntivas, preposições, locuções prepositivas e marcadores de continuidade como daí, então, depois, etc.
            A Coesão lexical por sinônimo ocorre quando o autor elabora o seu texto fazendo uso de uma palavra com um significado muito próximo ou que mantenha uma relação com a palavra usada anteriormente.
            A coesão lexical por repetição do mesmo item ocorre quando o sujeito principal é repetido mais de uma vez na frase.
            A coesão lexical por hiperônimos é vista através da utilização de palavras que correspondem ao gênero do termo a ser retomado.
            É importante ressaltar que, Marcuschi refere quatro fatores de conexão sequencial, que são: repetidores, substituidores, sequenciadores e moduladores. No grupo de repetidores, se encontra a recorrência, o paralelismo e a definitização. Já no substituidores, a paráfrase, as proformas nominais e verbais, adverbiais, pronomolização (anáfora, catáfora) e a elipse. No grupo dos sequenciadores o tempo, o aspecto, a disjunção, a conjunção e a subordinação. No segmento de modulares, a entonação e suas modalidades.
            Para Fávero, a classificação da função que os mecanismos coesivos exercem na construção do texto se dá pelo referencial, recorrencial e sequencial stricto sensu. A coesão referencial é obtida através de um elemento presente no texto que faça referência a outro, para que ocorra a sua correta compreensão. É a manutenção temática do texto.
            A coesão referencial por substituição ocorre quando um item presente no texto/frase é retomado por catáfora ou anáfora, ou precedido por uma pro-forma (pronominal, verbal, adverbial, numeral).
            A coesão referencial ocorre quando há a repetição de expressões já existentes no texto.
            De acordo com Fávero, além dos tipos de coesão demonstrados por Halliday & Hassan, temos a coesão recorrencial, que ocorre pela retomada de estruturas com função de fazer que o assunto progrida e a coesão sequencial, que é responsável pela sequencia temporal, por conexão do tema.

Exercício:

Qual a diferença da proposta de Fávero? Classifica, em termos de função, que a coesão exerce na construção do texto, sendo elas a referencial, recorrencial e sequencial stricto sensu.