quarta-feira, 25 de março de 2015

COESÂO

Aprendemos ao longo desse bimestre os objetivos da linguística textual, que é a  busca e entendimento da língua humana em sua estruturalização diversificada pelo mundo. Koch e Fávero destacam algumas causas para o surgimento da LT:
·         "As lacunas das gramáticas de frase no tratamento de fenômenos como a pronominalização;
·         A correferência;
·         A ordem das palavras no enunciado;
·         A relação entre sentenças não ligadas por conjunção;
·         A concordâcia dos tempos verbais;
·         A entonação;
·         A relação de artigos (definidos ou indefinidos)
·         A relação tópico comentário "
                 
   O que é Coesão? É a surperficie do texto. A relação entre as palavras e o sentido que o autor quer passar ao texto, estabelecendo também a forma como é organizada a sequência de palavras formando frases, e de frases em paragrafos e assim por diante.
   O que é texto? Tudo que é falado ou escrito que forma um todo significativo independente da sua estrutura.
            Os principais tipos de coesão segundo Halliday e Hassan: por referencia, por conjunção,lexical por conjução,lexical por sinônimo,lexical por repetição do mesmo item e lexical por hiperônimos.
            E a proposta diferente de Fávero: coesão referencial; catáfora; anáfora; pro-forma pronominal; pro-forma verbal, pro-forma numerale pro-forma adverbial.
            Segundo Fávero: "A coesão referencial tem a função de estabelecer referência, ou seja, alguns itens não podem ser interpretados por si mesmo, precisam fazer referência a alguma coisa necessária â sua interpretação. Ela auxilia a manutenção temática do texto." Pode ser obtida por substituições e por reiterações. A substituição se dá quando um componente é retomado ou precedido por uma pro-forma, no caso da retomada, tem-se uma anàfora, e no caso de sucessão, uma catáfora. A coesão por reiteração é a repetição de expressões no texto (repetição do mesmo item lexical).

            Exemplo de referência e anáfora: " Tenho um cachecol. Ele é rosa."
            Exemplo de referência com catáfora: "Eu só espero isto: que vocês venham me visitar no natal."
            Exemplos de reiteração: " O fogo acabou com tudo. A casa estava destruida. Da casa não sobrou nada."
            A coesão recorrencial auxilia a progressão temática do texto segundo Fávero os tipos de coesão recorrecial são: recorrência de termos; paralelismo; paráfrase e recursos fonológicos, segmentais e supra segmentais. A função da recorrência é passas a informação de que o texto progride.

Exemplo: "Julia é sábia, Julia é boazinha mas Julia é aborrecida"
             A coesão sequencial tem como função, da mesma forma que os de recorrência fazer o texto progredir, fazer o fluxo informacional caminhar. São diferentes dos mecanismos de recorrência, por não ter neles à retomada de itens, sentenças ou estruturas. Podendo ocorrer por seqüenciação temporal e por conexão.
            A seqüenciação temporal pode ser obtida por ordenação linear dos elementos, exemplo:
 "Antes de sair, verifiquei o tempo e só depois é que decidi levar o guarda-chuva."

Fonte: Apostila de Linguística Textual, livro Coesão e Coerência Textuais de Fávero.


quarta-feira, 18 de março de 2015

CONSTRUINDO OS SENTIDOS DO TEXTO E SEUS MECANISMOS

Processamento textual: o texto como um processo, acontece através de sistemas de conhecimento acionados no texto e no contexto de produção. Isso define três grandes sistemas de conhecimento pelo processamento textual: linguístico (do léxico e da gramática),do mundo ( blocos de conhecimentos da memória, modelos globais ) e interacional ( ações por meio da linguagem ).

Organização estrutural: já estudada abrange a microestrutura, macroestrutura e superestrutura.

1) Os modelos globais quanto ao nível superestrutural, que são facilitadores na produção/recepção de textos que acionam na memória o conhecimento armazenado, através de modelos globais, tais como: esquemas, frames, scripts e planos.

2) Quanto ao nível macroestrutural, destacaremos a coerência textual: princípio da interpretabilidade, está ligada à inteligibilidade do texto, na situação de comunicação e à capacidade do receptor em entender o sentido no modo global; relacionada com a condição de se estabelecer um sentido para o texto. A coerência também abrange outros fatores: elementos linguísticos, conhecimento do mundo, conhecimento partilhado, situacionalidade, informatividade, focalização, intertextualidade, intencionalidade e aceitabilidade.

3) Quanto ao nível microestrutural, destacaremos a coesão textual: modo como os elementos presentes na superfície textual estão interconectados através de recursos linguísticos, constituindo sequências veiculadoras do sentido. É construída através de mecanismos gramaticais, que definem as relações entre frases e sequência de frases assim como no interior das mesmas, e lexicais, através da reiteração, substituição e associação.

Conectivos: também são elementos de coesão fazendo a ligação entre frases, sendo os princiapais: as conjunções coordenativas (Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas e Explicativas ),Conjunções subordinativas (Causal, Comparativa, Concessiva, Condicional, Conformativa, Consecutiva, Temporal,  Final e Proporcional) e os pronomes relativos .

Exercício:

Cite os elementos principais da microestrutura e macroestrutura: coesão e coerência.

Bibliografia: COSTA VAL, M. G. Redação e textualidade. 3ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. / DIJK, T. A. Some aspects of text grammars. Paris, The Hague, 1972. /. Cognição, discurso e interação. 3 ed. São Paulo, contexto, 2000. / FÁVERO, L. L. Coesão e Coerência Textuais. 3ed. São Paulo, Ática, 1995. / KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos.  São Paulo, Contexto, 1997a. / MARCUSCHI, L. A. Linguística textual: o que é e como se faz. Recife, UFPE, 1983. /PLATÃO, S. F. & FIORIN, J. L. Lições de Texto: leitura e redação. São Paulo, Ática, 1996.


quarta-feira, 11 de março de 2015

FASES DA LINGUÍSTICA TEXTUAL

Na sua constituição, a Linguística Textual passou por três fases de desenvolvimento. A melhor caracterização das mudanças é a ampliação e aprofundamento gradual dos estudos da Linguística textual, marcando cada vez mais fortemente o seu afastamento em relação à Linguística Estrutural. Cada fase busca superar os limites e insuficiências da fase anterior.
            As três fases da Linguística Textual são: Transfrástica, da Gramática Textual e da Teoria do Texto.
            Conhecendo e entendendo cada uma delas a seguir.

1ª) Fase Transfrástica: fenômenos não explicados pela sintática/semântica; texto concebido como uma simples soma ou lista dos significados das frases que o forma, ou seja, nível da frase para o texto; é uma sequência pronominal ininterrupta, coerente de enunciados, forma de organização do material linguístico e a unidade linguística é superior à frase.

2ª) Fase da Gramática Textual: descrição da competência textual do falante; considera a separação entre texto e não texto; o texto é dado como um complexo de preposições sintático-semânticas; com uma estrutura pronta e acabada; é a maior unidade linguística com sequenciamento de signos linguísticos coeso, coerente e consistente. Nesse sentido, o falante possui capacidades textuais básicas: formativa, transformativa e qualificativa.

3ª) Fase da Teoria do Texto: desconsidera a separação entre texto e não texto; compreendido como contexto de produção ( não sendo um texto como produto acabado, uma estrutura pronta e acabada, e sim, em processo ), ou seja, uma atividade verbal, consciente e interacional entre falante/ouvinte-escritor/leitor; um conjunto de operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção, seja oral ou escrita; um processo de atividades globais de comunicação; um ato de comunicação unificado num complexo universo de ações humanas, preservando a coesão, considerando a coerência, no aspecto semântico e nas funções pragmáticas. 
Quando analisamos um texto, verificamos sua estrutura através de sua:

Microestrutura: análise linear do texto, é o significado das orações assim como a relação entre elas; estrutura superficial do texto, ordenança das sentenças, semântica linear; eixo horizontal ( coesão);

Macroestrutura: análise do texto como um todo; é a estrutura profunda do texto, ou seja, a forma lógica, estrutura subjacente; semântica global; eixo vertical ( coerência ).

Superestrutura: estrutura formal global de um texto, descrita em categorias e regras de formação, elementos cognitivos, dependentes, resultantes de processos de descrição; tipos de discurso, sequência esquemática, características de linguagem, recursos retóricos ou estilísticos; modelos cognitivos globais ( tipologia textual ).

Exercício:

Complete: A preocupação com um estudo linguístico que busque investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão dos textos em uso; considerando o seu contexto pragmático e o conjunto de condições externas da produção, recepção e interpretação dos textos é uma postura teórica da evolução linguística da fase da teoria do texto.


Bibliografia: BENTES, A. C. Linguística Textual. IN. MUSSALIM, F. & BENTES, A. Introdução à Lingüística – Domínios e Fronteiras. 3ed. São Paulo, Cortez. Vol.1., 2003, p.245-287. / FÁVERO, L. L. & KOCH, I. V. Lingüística textual: introdução. São Paulo, Cortez, 1988. / KOCH, I. V. O texto e a construção dos sentidos.  São Paulo, Contexto, 1997. / MARCUSCHI, L. A. Lingüística textual: o que é e como se faz. Recife, UFPE, 1983.

quarta-feira, 4 de março de 2015

LINGUÍSTICA TEXTUAL E TEXTO

 Linguística textual: o termo foi empregado pela primeira vez por Harald Weinrich, sendo desenvolvida na década de 60, especialmente, na Alemanha. Essa evolução deu-se a partir da obra de Saussure, quando publicou Curso de Linguística geral; a partir de então, o ramo da linguística, passa a ter formas específicas de manifestação de linguagem. Tem como objetivo explicar como funciona a linguagem humana e descrever a estruturação das línguas do mundo ( morfológica, sintática e semântica ).
            O texto é uma unidade linguística concreta ( escrita e verbal ), tomada pelos usuários da língua ( falante/ouvinte, escritor/leitor), com intenção comunicativa, com unidade de sentido e compreendendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida. Forma um todo significativo, comunicativo contextual. Conta com uma estruturação textual: percurso e conceito do texto, construção dos sentidos ( coerência e coesão textual ).Podemos classificar os níveis de organização de um texto em: microestrutura, macroestrutura e superestrutura.
            A linguística textual surge após a Teoria da Enunciação e dos Atos da Fala para estudar  além dos limites da frase, reintegrar o sujeito e a situação sócio-comunicativa ao escopo de investigação teórica e  desenvolver e ampliar em suas modalidades oral e escrita, a partir da sua organização estrutural, processamento cognitvo e funcionamento sócio-interacional, lacunas essas deixadas nas fases de análises anteriores(  transfrástica e gramática textual ).

Exercício:

Complete: O texto para teoria do texto é o resultado de operações comunicativas por meio de processos linguísticos em contextos socioculturais.

Bibliografia: FÁVERO, Leonor Lopes; KOCH, Ingedore Vilaça. Linguística textual: introdução. [n.s.]. São Paulo. Cortez, 2002. / KOCH, Ingedore Vilaça. Linguística textual: quo vadis? São Paulo, v. 17, n. especial. P. 1-11, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/. Acessoem 04. mar. 2009./ MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Ana Cristina (Orgs). Introdução à Linguística: domínios e fronteiras. 8ª ed. São Paulo: Cortez, v. 01. 2008. / BENTES, A. C. Linguística Textual. IN. MUSSALIM, F. & BENTES, A. Introdução à Linguística – Domínios e Fronteiras. 3ed. São Paulo, Cortez. Vol.1., 2003, p.245-287.